Naquele momento o desejo já havia tomado conta de toda sanidade que eu deveria ter. Olhei para os seus olhos e eles estavam mais claros ainda e transmitiam aos meu olhos toda a sua vontade. Você me hipnotizou com todo seu desejo, desejo carnal. Nossos beijos já não eram só beijos, eram gritos pedindo por toque, pele, calor. Meus cabelos sentiam o toque dos seus dedos, minhas pernas buscavam sua cintura, e então quando encontraram, elas a contornaram e pressionaram meu corpo contra o seu.
Agora já não havia nada entre nós dois, a lei da física não se aplica no nosso caso, nossos corpos ocupavam sim o mesmo lugar, e depois eram um só. Cada suspiro que vinha de dentro de ti me passava todo seu desejo, eu queria mais. Suas mãos foram descobrindo cada centímetro do seu corpo, seus dedos estavam gelados, e por onde passavam me causavam arrepios.
Já não existia controle, estávamos tomados pelo prazer, os corpos quentes receberam a água do chuveiro, se abraçaram e então mais uma vez tornaram-se um só.
Percorremos pelos cômodos, não havia receio, nada importava, somente o prazer, o momento, nada mais. Nos deitamos no chão da sala, não havia ar nos nossos pulmões, procurávamos um pelo outro, exaustos. Nos tocamos pelas mãos, entrelaçamos nossos dedos e então uma nuvem pesada cobriu meus olhos.
Acordei horas depois, deitada em minha cama, devidamente coberta e vestida. Não haviam almofadas pelo chão, nem objetos fora do lugar, tudo estava em perfeita ordem, como antes de você chegar... Seria um sonho? Não poderia ser, foi muito real para ser um sonho...
Depois daquele dia, eu te quis todas as vezes que te vi, mas seus olhos nunca mais ficaram tão claros.
Mariana Reis